Vivemos em um tempo em que as crianças passam cada vez mais horas em ambientes fechados, diante de telas e com menos oportunidades de contato cotidiano com a natureza. Diante dessa realidade, pensar os espaços externos das instituições de ensino deixou de ser apenas uma questão de estrutura física: tornou-se uma necessidade pedagógica.
Os espaços naturalizados são ambientes planejados para aproximar a criança da natureza e possibilitar experiências com terra, água, plantas, pedras, folhas, sementes, árvores, areia, madeira e outros elementos naturais. São espaços que convidam a correr, subir, equilibrar-se, observar, imaginar, construir, investigar e brincar.
Essa proposta dialoga diretamente com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que reconhece a criança como sujeito de direitos e protagonista de suas aprendizagens. Dessa forma, o aprender acontece por meio das interações e das brincadeiras, da pesquisa, da exploração.
Naturalizar os espaços não significa simplesmente colocar algumas plantas no pátio. Significa reconhecer o ambiente como parte do currículo e compreender que o espaço também educa.
A escola contemporânea precisa oferecer às crianças oportunidades que muitas vezes estão desaparecendo de suas vidas cotidianas: brincar ao ar livre, sentir a chuva, tocar a terra, observar um inseto, acompanhar o crescimento de uma planta, ouvir os sons do ambiente e descobrir que a natureza não é algo distante, mas parte da própria vida.
É necessário superar a ideia de que o espaço externo serve apenas para gastar energia. Correr, subir, pular, equilibrar-se e explorar são formas de aprender. O movimento contribui para o desenvolvimento integral e amplia as possibilidades de autonomia e descoberta. Naturalizar os espaços externos é, portanto, uma escolha educativa. É oferecer uma infância com mais movimento, experiências sensoriais, autonomia, criatividade e vínculo com o mundo natural.
Precisamos pensar que tipo de infância nossos espaços estão disponibilizando, naturalizar espaços educativos é semear possibilidades de aprendizados, de infância saudável, feliz e de futuro com visão sustentável e de esperança.
Por: Silvana Dal Pizzol da Costa – professora da Educação Infantil do Município de Palmitos. Coordenadora e professora do curso de Pedagogia da FAOSC- Faculdade do Oeste de Santa Catarina.Formadora do LEEI (2024/2025) e do PROLEEI (2026). Especialista em Educação Infantil, Anos Iniciais, Gestão Escolar e Psicopedagogia. Mestra em Educação.
E-mail silsildalpizzol@gmail.com
Silvana Dal Pizzol da Costa
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