
Antes que o sol apareça, o trabalho já começou para muita gente. Enquanto uma família acende as primeiras luzes da propriedade rural para cuidar dos animais, um motorista liga o caminhão e inicia mais uma viagem. Em cenários diferentes, os dois carregam a mesma responsabilidade: fazer a vida seguir em frente.
É por isso que, em 25 de julho, colono e motorista dividem a mesma homenagem. Um cultiva a terra, enfrenta o clima e espera o tempo da colheita. O outro percorre quilômetros para levar essa produção até quem precisa. Sozinhas, são profissões essenciais. Juntas, contam uma mesma história.
A origem da data também une tradição e reconhecimento. O Dia do Colono nasceu em homenagem aos imigrantes que ajudaram a construir a agricultura brasileira, enquanto o Dia do Motorista é celebrado na data dedicada a São Cristóvão, padroeiro dos viajantes. Mais do que lembrar duas profissões, o dia reconhece pessoas que sustentam o país com trabalho diário, muitas vezes silencioso.
Em Palmitos, essa homenagem ganha rosto, voz e memória. De um lado, uma família que escolheu permanecer na propriedade rural e viu um filho decidir continuar o legado iniciado pelos bisavós. Do outro, um homem que transformou um sonho de infância em profissão e hoje percorre as estradas ao lado da mesma paixão que nasceu dentro da cabine do caminhão do pai.
Quando o legado floresce na mesma terra

Na propriedade da família Marquiori, na Linha Taquarussu, a agricultura nunca foi apenas uma atividade econômica. Ela faz parte da história da família. “A geração da nossa família toda vem da agricultura, desde os nossos bisavós, nossos avós, nossos pais e nós também”, ressalta Aline Marquiori.
Ao lado do marido Clevison e dos filhos Erick e Emanuelly, ela divide a rotina entre a produção de tabaco e a principal atividade da propriedade: dois aviários que, juntos, recebem mais de 45 mil aves por lote.
A rotina muda conforme o clima, a época do ano e as necessidades da produção. Há dias em que toda a família trabalha lado a lado. Em outros, o relógio desperta no meio da madrugada.

Nas primeiras semanas de alojamento dos pintainhos, pai e filho levantam durante a noite para manter o aquecimento dos galpões. Dormir uma noite inteira pode esperar. O cuidado com a produção, não.
Apesar da dedicação exigida, Aline diz que é justamente o trabalho que une a família. “Às vezes está quase a família toda junto. Cada um faz uma parte”, conta Aline.
Entre as maiores conquistas está uma decisão que, hoje, se torna cada vez mais rara no meio rural: o filho mais velho escolheu permanecer na propriedade.
“Ele escolheu ficar para ser sucessor da propriedade. Isso é bem importante também”, destaca.
Para os pais, a escolha representa a continuidade de uma história construída por várias gerações. Mais do que ensinar o trabalho, a família procura transmitir valores.
“O aprendizado que tivemos das gerações anteriores é que, acima de tudo, a gente tem que ser honesto, trabalhar com carinho, com determinação e lutar por aquilo em que acredita”, afirma Aline.
É esse esforço diário que permitiu transformar o trabalho em conquistas.
“Foi através dele que conseguimos construir nossa casa, ter conforto e uma estabilidade financeira que antes não tínhamos”, relembra.
No fim, Aline resume o significado do Dia do Colono em uma mensagem que fala de quem veio antes e de quem ainda virá. “Quem cultiva a terra com amor semeia o futuro de todos nós”, finaliza Aline.
O sonho de infância que virou profissão nas estradas

Muito antes de assumir o volante sozinho, Christian Delazeri já conhecia as estradas. Ainda criança, ocupava o banco do passageiro enquanto acompanhava o pai nas viagens. O caminhão era, ao mesmo tempo, brinquedo, sala de aula e sonho.
“Meu pai já trabalhava com caminhão. Eu fazia viagens junto com ele e fui gostando. Era sonho de criança querer dirigir caminhão também”, relembra Christian.
Treze anos depois do primeiro trabalho como motorista profissional, aquele sonho continua sendo o combustível da profissão.
Entre todas as lembranças acumuladas pelas rodovias, nenhuma supera o primeiro dia em que saiu sozinho. “Quando você pega o caminhão e percebe que agora está nas suas mãos… depois de tanto sonhar com isso… é uma alegria que não se esquece”, recorda.
Hoje, Christian faz viagens de curta distância. Para muitos pode parecer apenas um detalhe da rotina, mas para ele significa poder viver algo que nem todos os colegas conseguem. “Consigo praticamente todos os dias estar em casa com a família. Nem todos têm esse benefício”, destaca.
Ele sabe que milhares de motoristas passam dias ou semanas longe de casa para manter o país abastecido. Por isso, faz questão de lembrar da importância da profissão.
“É o motorista que conecta uma cidade à outra, um estado ao outro. Tudo o que é essencial para a economia e para a população passa pelo caminhão e pelo motorista”, ressalta Christian.

No Dia do Motorista, a homenagem vem acompanhada de um pedido simples. “Que Deus continue dando proteção a todos nas estradas. Os riscos são grandes, mas o que nos move é maior ainda. Seguimos fazendo o que gostamos”, finaliza Christian.
No Dia do Colono e do Motorista, histórias de uma família agricultora e de um caminhoneiro de Palmitos mostram que o trabalho vai além da profissão: é legado, escolha e continuidade
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