A Epagri de Riqueza iniciou um trabalho de resgate de sementes crioulas e tradicionais cultivadas por famílias do município e da região. A iniciativa busca reunir variedades que deixaram de ser utilizadas ao longo dos anos e formar um banco de sementes para posterior distribuição às famílias interessadas no cultivo.
Segundo o extensionista da Epagri, Adair Magnaguagno, o trabalho está na fase inicial e depende da colaboração dos agricultores que ainda mantêm essas variedades.
“Nós estamos começando um trabalho de resgate das sementes crioulas, sementes tradicionais, aquelas sementes que os nossos pais, nossos avós cultivavam e cultivam ainda muitas famílias ao longo dos anos”, explica Magnaguagno.
De acordo com ele, muitas variedades foram deixadas de lado com a evolução das cultivares e algumas já não podem mais ser recuperadas.
“Hoje muitas variedades já não existem mais, já infelizmente não tem como resgatar esse material genético, e que fizeram parte da cultura, da tradição dessas famílias”, afirma.
Neste momento, a Epagri solicita que agricultores que possuem sementes tradicionais façam a entrega do material no escritório da instituição. Como o banco ainda está sendo estruturado, não há estoque formado.
“Nesse momento, como o trabalho é inicial, ainda a gente não tem um estoque, um banco de semente formado. Então agora é a fase extremamente importante que as famílias disponibilizem aquela sobra de semente do cultivo”, destaca o extensionista.
Entre os exemplos estão variedades antigas de trigo, feijão, milho branco, milho roxo, pipoca preta e colorida, soja preta, soja Santa Rosa, hortaliças, arroz, abóbora, cenoura, couve e plantas utilizadas para chás.
Magnaguagno explica que algumas dessas variedades são destinadas principalmente ao consumo das próprias famílias.
“O objetivo dessa semente não é uma produção em grande escala. É aquela produção para aquela família que quer comer no formato de milho verde ou para a produção de um pão branco, enfim, de milho com milho branco, alguma coisa nesse sentido”, relata.
A soja Santa Rosa também está entre as variedades identificadas pela equipe. Segundo o extensionista, algumas famílias do município e da região ainda mantêm pequenas quantidades da semente.
“A gente tem registro de algumas famílias que ainda têm a Santa Rosa. São pequenos volumes de sementes, pequenas produções”, afirma.
Outra variedade citada é a soja preta, que pode ser utilizada para a produção de folhagem destinada à alimentação de animais.
O trabalho também busca manter variedades relacionadas à alimentação e às práticas agrícolas das famílias.
“Muitas dessas variedades não têm uma grande produção, mas elas têm um sabor muito característico. Que aí é aquele sabor de infância”, explica Magnaguagno.
Para a Epagri, a formação do banco permitirá que sementes atualmente mantidas em pequenas quantidades possam ser multiplicadas e disponibilizadas para outras famílias.
“É extremamente importante que a família disponibilize para que a gente consiga replicar e disponibilizar para as demais famílias como forma de manter essas variedades na região”, afirma.
Agricultores que possuem sobras de sementes tradicionais ou variedades que desejam preservar podem procurar o escritório da Epagri de Riqueza, localizado no prédio da Câmara de Vereadores. A proposta é reunir diferentes variedades e ampliar a disponibilidade desses materiais para as famílias da região.
Fonte / Foto: TV Expresso
Epagri busca reunir variedades cultivadas por famílias da região para formar um banco de sementes e ampliar o acesso aos materiais
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