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Setor produtivo discute alternativas para o abastecimento de grãos

Última atualização 12 de novembro de 2021 - 14:42:03

Foto: Divulgação / SAR – O projeto conta ainda com áreas experimentais para avaliar 30 cultivares em diferentes solos e climas

Grande produtor e exportador de proteína animal, Santa
Catarina se tornou também um dos maiores importadores de grãos do país.

O abastecimento de milho é um dos principais gargalos do
setor produtivo e o cultivo de cereais de inverno tem se mostrado uma
alternativa viável para suprir a demanda interna.

As oportunidades para aumentar a oferta de grãos disponíveis
para a fabricação de ração animal foram o tema da reunião da Câmara de
Desenvolvimento da Agroindústria da Fiesc, realizada na quinta-feira (11), em
Florianópolis.

“Esse ano nós já vamos comemorar os bons resultados do
cultivo de cereais de inverno em Santa Catarina e sabemos a importância desse
elo para a competitividade da cadeia produtiva de carnes no estado. Nós temos,
aproximadamente, um milhão de hectares disponíveis e que podem ser cultivados
no inverno, isso nos traz um horizonte de grandes oportunidades tanto para os
produtores quanto para as agroindústrias”, destaca o secretário de Estado da
Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, Altair Silva.

O trigo, aveia, centeio e cevada – cultivados nas épocas
mais frias do ano – podem representar uma renda extra para os produtores e
também suprir a demanda da cadeia de proteína animal.

Desde 2013, os pesquisadores da Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estudam os aspectos nutricionais e econômicos
dos cereais de inverno, a intenção é identificar quais cultivares são mais
adequados para ração animal, especialmente em Santa Catarina e no Rio Grande do
Sul.

Segundo o pesquisador da Embrapa Trigo, Eduardo Caierão, o
foco dos estudos é utilizar o trigo especificamente para ração, seja com um
novo cultivar ou aproveitando um material já existente.

“Com a disponibilidade genética que nós temos hoje, é
possível, no mínimo, dobrarmos a produção com a mesma área. Nós temos lavouras
com rendimento de 100 sacos por hectare e, todos os anos, nós temos o
lançamento de novas variedades, mais resistentes e mais adequadas ao que o produtor
precisa. A cultura do trigo é uma cultura de risco, mas o pior de tudo é não
ter o que colocar no inverno, esse é o erro mais grave”, explica.

Para as agroindústrias, a maior oferta de cereais de inverno
para a produção de ração representa um ganho de competitividade e amplia a
capacidade de investimentos do setor produtivo.

“Devemos estar atentos ao tema da competitividade e isso
passa por temas logísticos e, principalmente, pelo tema de abastecimento de
grãos. Hoje, nós temos novos desafios, entre eles a sustentabilidade da
produção. E aumentar a nossa eficiência de produção é, talvez, a nossa maior
contribuição para a sustentabilidade do planeta porque vamos produzir mais
toneladas de alimentos com um menor uso de recursos naturais, ou seja, com mais
eficiência”, ressalta o pelo presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e
Derivados de Santa Catarina (Sindicarne SC), José Antônio Ribas Júnior.

 

Safra de trigo em SC

De acordo com estimativa da Epagri/Cepa, Santa Catarina deve
colher a maior safra de trigo dos últimos 10 anos, com produção de 348 mil
toneladas, um incremento de 102% em relação à safra anterior.

O cenário resulta do crescimento de 74% na área plantada,
reflexo dos bons preços pagos aos produtores, associados ao incentivo do
Governo do Estado no cultivo de cereais de inverno.

Para reduzir a dependência de milho e os custos de produção
da cadeia produtiva de carnes e leite, a Secretaria da Agricultura lançou o
Projeto de Incentivo ao Plantio de Cereais de Inverno.

Com investimento de R$ 5 milhões, os produtores receberam
apoio para cultivar trigo, triticale, centeio, aveia e cevada – que devem ser
utilizados para fabricação de ração.

O projeto conta ainda com áreas experimentais para avaliar
30 cultivares em diferentes solos e climas.

A ação conta com o apoio da Cooperativa Regional
Agropecuária Vale do Itajaí (Cravil), Cooperativa Regional Agropecuária Sul
Catarinense (Coopersulca), Cooperalfa e Cooperativa Agroindustrial Cooperja.

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