Home "Se estou saindo agora foi pelo excesso de resultado contra o crime organizado", diz delegado afastado da Deic de SC

"Se estou saindo agora foi pelo excesso de resultado contra o crime organizado", diz delegado afastado da Deic de SC

Última atualização 30 de julho de 2012 - 14:43:34

Três dias depois de ser comunicado de seu afastamento da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), o delegado Alexandre Carvalho falou com a imprensa, nesta segunda-feira, em sua sala, ainda como titular da Divisão de Furtos e Roubos de Veículos, onde está há três anos e meio.

O delegado Alexandre comentou a entrevista do diretor da Deic, delegado Akira Sato aoDC, publicada nesta segunda-feira. Na matéria, Sato negou que o afastamento tenha fundo político, mas policiais que trabalham na Deic e que preferiram não se identificar disseram nesta segundaque o verdadeiro motivodo afastamento é o inquérito conduzido pelo delegado Alexandre sobre o desvio de peças do pátio da Secretaria de Segurança Pública (SSP).

O secretário-adjunto da SSP, coronel Fernando de Menezes foi um dos indiciados no inquérito, que está na Justiça. Há policiais, inclusive, que acreditam que o afastamento é mais um episódio para enfraquecer a Deic. A reportagem também falou com integrantes da equipe do delegado Alexandre Carvalho.

Diário Catarinense– O senhor esperava ser afastado depois do caso ferro-velho? Como está se sentindo?
Alexandre Carvalho– Não, de jeito nenhum. Fiquei sabendo na sexta-feira, foi uma surpresa. Estou muito triste de deixar a Deic. O sonho da minha carreira é trabalhar aqui. Saí da Polícia Federal porque queria trabalhar na Deic. Na Deic a gente consegue combater o crime organizado com mais tempo, equipe e logística especializada.

DC– O senhor foi comunicado da exoneração pelo delegado Akira Sato? Como foi?
Alexandre– Ele estava de férias, a adjunta (delegada Ana Ramos Pires) estava viajando. Ele (Sato) veio só para isso. Eu não quis falar sobre os resultados nem me defender. A decisão já estava tomada. Ele disse para eu me apresentar ao chefe de polícia e para eu terminar meus inquéritos. Falou que está reestruturando a Deic e me escolheu.

DC– Na matéria,o delegado Sato disse que sua equipe produziu muito mais durante suas férias e que o seu comando no grupo não o agradou. Como o senhor analisa esse comentário?

Alexandre– Em três anos e meio não cometi nenhuma falta grave nem obtive poucos resultados. Pelo contrário, se estou saindo agora foi pelo excesso de resultado contra o crime organizado. Meu objetivo sempre foi prender desde os criminosos que executam as ordens até os chefões do crime organizado. Foram muitos veículos apreendidos, quadrilhas desmanteladas e pessoas indiciadas, seja delegado ou coronel. Minha consciência está tranquila.

DC– O senhor se refere ao inquérito do ferro-velho?
Alexandre– Não posso achar nada, só analisar fatos. E o fato é que sempre mostrei resultados. Este ano, inclusive, foi o que mais deu resultado. Sou técnico da equipe, não sou insubstituível, mas a equipe está ganhando. Nesta reestruturação da Deic, por que tirar o técnico de uma das equipes que mais dá resultados?

DC –Policiais da Deic disseram que o verdadeiro motivo é político, por causa do inquérito conduzido pelo senhor, em que osegundo homem da SSP foi indiciado.
Alexandre– Só posso dizer que acredito muito na Justiça catarinense. Existem indícios concretos do cometimento de crime por parte de todos os indiciados neste inquérito.

O que dizem integrantes da Divisão de Furtos e Roubos de Veículos e que preferiram não se identificar:

O delegado Alexandre foi parceiro, fiel, fez relevante trabalho para a divisão, a Deic e a sociedade”
“A divisão ficou surpresa com a saída dele. Sob seu comando, tivemos excelentes resultados”
“Sempre deu suporte ao nosso trabalho. Foi uma das gestões que mais apreendeu veículos em tão pouco tempo”
“Não é qualquer delegado que investiga delegado e coronel. Sem dúvida, a saída dele foi política”
“A equipe está solidária ao delegado Alexandre Carvalho”

deixe seu comentário