Uma pesquisa realizada pelo Ibope com 2002 brasileiros mostrou que para62% dos entrevistados o carinho tem muita importãnciana vida. O levantamento também revelouque as palavras mais associados a ele são amor (43%), atenção (19%) e afetividade (13%).
Ainda conforme o estudo, as mulheres demonstram mais carinho (69%) do que os homens (54%). Por outro lado, são os homens que sentem mais falta de carinho (30% contra 26% das mulheres).
— Há um aspecto sociocultural que temos que considerar, pois para o homem é mais difícil vencer o preconceito em assumir que o carinho é importante para a vida — afirma o professorJosé Roberto Leite, do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Mas uma boa parcela da população brasileira ainda se sente carente. Enquanto 35% afirmaram que receberam muito carinho em suas vidas, 28% declararam não ter recebido.
Já 21% dos brasileiros disseram não ter manifestado carinho a ninguém.
— A correria do dia a dia, estilo de vida, entre outros fatores estressantes, podem ter influenciado este resultado — comenta Leite.
Se o carinho é muito relevante, o dinheiro não ocupa a mesma posição: apenas 28% disseram que o dinheiro é muito importante em suas vidas.
— Isso confirma os dados da literatura científica de que não há uma relação direta entre poder econÔmico e felicidade. Por exemplo, no ranking dos países mais felizes do mundo, a Indonésia, um país com poucos recursos, ocupa o primeiro lugar da lista — conta.
Já no ãmbito familiar mais de um terço da população acredita que atualmente existe mais carinho na família do que antigamente.
— O relacionamento nas famílias era “um tanto frio”, distante, sem muito afeto. Éramos criados para ficar quieto e respeitar o mais velho. E isso nos condicionava a não expressar o que sentíamos. Acabávamos trocando o afeto por desempenho. Esse era o padrão cultural daquela época. Hoje a relação entre pais e filhos é muito mais próxima e aberta — lembra Leite.
Em contrapartida, no ambiente social, 77% declararam que há menos carinho no mundo. Entre os motivos que levam os brasileiros a acreditar que existe menos carinho no mundo atualmente, destacam-se o egoísmo (46%), o trabalho em excesso (13%) e o medo das pessoas em expressar os seus sentimentos (13%).
— A competitividade é um dos principais fatores que resultam em egoísmo. Em tudo temos que mostrar nossa eficiência e ficamos muito tempo ocupados com isso. Seja a concorrência no trabalho, na escola, em todas as ocasiões estamos sempre competindo e temos que ser melhores que os outros — diz Leite.
Quando perguntados se estariam propensos a ajudar um desconhecido, 29% se mostraram disponíveis enquanto 32% não demonstraram a mesma predisposição. Para Leite, o resultado é bastante positivo, uma vez que mesmo com a violência crescente, boa parcela da população ainda está disposta a ajudar um desconhecido.
— Isso é muito interessante. Isso se correlaciona seguramente com o aspecto do carinho e amor —afirma.
A pesquisa foi encomendada pelo Johnson& Johnson e realizada em julho.
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