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Mais de 4 mil catarinenses não terão acesso a radioterapia pelo SUS em 2023, diz levantamento

Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina – A radioterapia é um tratamento em que são utilizadas radiações ionizantes para destruir células de um tumor ou impedir que elas se multipliquem

Mais de 4 mil catarinenses não terão acesso ao tratamento de
radioterapia para o combate do câncer na rede pública de saúde em Santa
Catarina. Os dados fazem parte de um levantamento feito pela Sociedade
Brasileira de Radioterapia (SBRT) divulgado em abril. Para especialistas, a
falta do procedimento pode causar até uma possível progressão da doença.

A radioterapia é um tratamento em que são utilizadas
radiações ionizantes para destruir células de um tumor ou impedir que elas se
multipliquem. Na maioria dos casos, ela traz a cura para a pessoa, além de
contribuir para a melhoria na qualidade de vida. Ela pode ser feita de duas
formas: teleterapia ou braquiterapia.

O foco da pesquisa da SRVT era mapear o panorama do
tratamento oferecido pelo SUS em comparação com a Saúde Suplementar. Ele
apresenta dados, não só de pacientes, mas também da disparidade de acesso às
tecnologias, defasagem da tabela de remuneração, ausência do serviço em alguns
estados e a má distribuição de aceleradores lineares.

Atualmente, o Estado conta com 17 máquinas para teleterapia
— o menor número do Sul do país — para atender 11.329 pacientes, uma média de
666 casos por máquina. Os dados, no entanto, não apontam quantos equipamentos
de braquiterapia estão disponíveis nos hospitais catarinenses.

Em Santa Catarina, segundo o estudo, 23.760 pacientes
necessitam do tratamento este ano. Porém, a estimativa é de que 4.106 não
consigam recebê-lo.

Se levar em conta os últimos 15 anos, cerca de 60 mil
catarinenses deixaram de receber o tratamento pelo SUS. Em todo o país, a
estimativa é de mais de 1 milhão de pessoas, o que teria causado a morte direta
de mais de 110 mil.

— Aproximadamente 70% dos casos vai precisar da
radioterapia. Quando ela é utilizada, em 80% dos casos. A intenção é curativa.
Agora, se não tiver acesso ao tratamento, o paciente vai buscar outras formas,
que as vezes são menos eficazes, mais custosas, além de sofrer mais com efeitos
colaterais ou uma possível progressão da doença — explica o rádio oncologista e
presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), Marcus Simões
Castilho.

Outra questão apontada pelo especialista é o tempo no
tratamento. Isto porque a falta da modernização dos equipamentos pode aumentar
o período do procedimento o, que consequentemente, também reflete no número de
pacientes contemplados com a terapia.

— Além da falta de equipamento, é preciso que ele esteja
atualizado o suficiente. Se ele é muito antigo, os tratamentos ficam mais
longos. Por exemplo, a doença de próstata, que levaria cinco sessões, acaba
durando 35. Ou seja, menos dias de tratamento, libera a vaga mais rápido para outros
pacientes — diz.

Questionada sobre o número de pessoas que aguardam o
tratamento em Santa Catarina, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) afirmou que
762 pessoas estavam na fila de cirurgia oncológica até 1º de maio. Para
garantir o tratamento a todos os catarinenses, a SES citou que realizou
forças-tarefas de atendimento para diminuir a fila de espera. Ainda disse que
segue a legislação que estabelece 60 dias para início do tratamento para câncer
e 30 dias para realização de exames em casos suspeitos.

 

Diferença entre a
saúde pública e privada

O estudo da SBRT também aponta diferenças entre os sistemas
de saúde pública e privada no oferecimento da radioterapia. No caso da rede
privada, a cada 100 mil pessoas que tem plano de saúde, 150 conseguem o
tratamento com radioterapia. Já no SUS, a cada 100 mil pessoas, 70 realizam o
procedimento.

— O nosso levantamento consegue mostrar que o paciente da
rede pública não é tratado da mesma forma que na rede privada. Em alguns
locais, o mesmo procedimento é feito em 70 a 80% dos lugares, enquanto na rede
pública é de 20%. Além disso, na rede pública, os equipamentos tem uma idade
superior à da rede privada, onde os sistemas são menos atualizados — explica o
presidente da SBRT.

Por isso, o especialista aponta dois caminhos. O primeiro é
a troca e a instalação de novos equipamentos, mas que sofre com a falta de
reajuste do valor dos recursos para os serviços de manutenção que, segundo a
Sociedade, está defasado desde 2010. Já o segundo é o programa de recomposição
de equipamentos, do próprio Ministério da Saúde. Mas, o presidente da BRT
explica que nem sempre é possível intervir em todos os casos.

A reportagem procurou o Ministério da Saúde a respeito do
assunto, mas não teve retorno até a publicação. Em nota ao Bom Dia Brasil, da
TV Globo, desta terça-feira (2), a pasta disse que “retomou o diálogo e
ações para ampliar e aumentar o investimento na oferta de radioterapia no
SUS”.

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