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Mãe de jovem baleado contesta ação policial

Última atualização 21 de janeiro de 2015 - 08:39:57

A mãe do jovem Diego Benedetti, 20 anos, baleado por um Policial Militar no dia 05 de outubro de 2014, procurou a reportagem do jornal Gazeta Catarinense para falar que a família tem buscado formas de provar que o filho não estava envolvido em assalto e que a ação policial foi incoerente. De outro lado, o Major da PM mantém a defesa de que a polícia só atirou no jovem em legítima defesa

Silene Almeida, mãe do jovem Diego Benedetti, 20 anos, baleado por um Policial Militar em São Miguel do Oeste, no dia 05 de outubro de 2014, procurou a reportagem do Jornal Gazeta Catarinense na última semana. Silene diz que a família não se conforma com a morte do jovem e acredita que a Polícia Militar poderia ter agido de forma diferente, sem a utilização de arma de fogo.

Diego Benedetti foi baleado na perna e acabou falecendo 25 dias depois, no hospital regional Terezinha Gaio Basso. O inquérito policial elaborado pela Polícia Civil apontou que Benedetti estaria praticando um assalto na rua Marcílio Dias, próximo ao Fórum do município, quando foi surpreendido pelos policiais. Segundo o inquérito, Benedetti teria utilizado uma faca e investido contra a polícia, fazendo com que um dos militares atirasse no jovem. No entanto, a mãe garante que o filho não praticou assalto e contesta o laudo feito pela Polícia Civil.

Silene diz que a família toda têm sofrido com a morte de Benedetti. “Ainda estamos muito chocados. Queremos justiça. O meu filho morreu, quantas mães perderão seus filhos ainda? Quero deixar uma palavra bem importante, dirigida ao comandante da Polícia Militar, que disse que os homens dele agiram com muita competência, agilidade, cautela, responsabilidade. Não vi nada disso, eu vejo uma tamanha covardia”, diz ela.

A mãe de Benedetti relata que o filho teve problemas com envolvimento de drogas há um tempo atrás, no entanto, segundo ela, havia se recuperado após ter sido internado. A mãe disse ainda que o filho sempre trabalhou e que nunca teria praticado assalto. “Muitos comentários negativos diziam conta que Diego era ‘vagabundo’, que não trabalhava. Todo mundo que conhece ele sabe que ele trabalhava, gostava de fazer geometria, balanceamento, chapeação e quando ele estava sem emprego, eu e o pai dele ajudávamos, inclusive ele tinha uma moto nova e um carro que usávamos juntos”, contextualiza ela.

Silene diz ainda que não se conforma com a forma com que a Polícia Militar se relacionava com o filho. “Gostaria que retomassem a ‘fita’ e voltassem ao tempo. Quando Diego tinha 18 anos, acusaram ele de ter roubado uma moto. Deu a maior confusão até descobrirem que não havia sido ele. A informação foi espalhada na imprensa, principalmente no rádio, e a imagem do meu filho foi manchada naquela época. Vejo isso como uma perseguição que há tempos já estava acontecendo”, lamenta a mãe.

A família segundo Silene, tem investigado o caso. “Peço as autoridades que não deixem este policial impune, que investiguem. Acredito que os policiais não são pagos para bater nos outros, para atirar. Respeito muitos militares que fazem o seu trabalho com competência, mas neste caso, não compreendo a atitude. Nós vamos continuar investigando, estamos sofrendo muito. Na escola meus filhos ouvem os professores falarem que o irmão era bandido, que ‘tinha que morrer mesmo’, um deles inclusive reprovou porque respondeu a uma professora. Então nós vamos continuar buscando por justiça”, enfatiza.

“A morte do cidadão é lamentável. A PM não busca matar”

O Major da Polícia Militar, Jailson Aurélio Franzen, defende que a Polícia Militar agiu em legítima defesa ao atirar no jovem Diego Benedetti. “Conforme o relato dos policiais e o que foi apurado no inquérito, o policial agiu dentro do previsto na lei. Tanto pelo treinamento que o policial recebe quanto seguindo as regras de proteção a vida e os direitos humanos”, argumenta.

Franzen destaca que o policial tem o dever de agir utilizando arma de fogo quando necessita se proteger em situações caracterizadas por Franzen como ‘extremas’. “A utilização da arma de fogo naquele momento pelo que se pÔde apurar, foi feita dentro da técnica policial e dentro dos limites da lei. É o que a gente chama de uso progressivo da força, onde o policial tem que dar uma resposta compatível a agressão que ele recebeu no momento e que poderia ser letal”, explica.

O Major ainda lamenta a morte do jovem e diz que a polícia não tem como objetivo matar. “A morte do cidadão é lamentável. A Polícia Militar não busca matar. A gente compreende a dor da mãe que perdeu um filho, mas o que precisamos deixar bem claro para toda a sociedade é que o policial é orientado a fazer o uso da arma de fogo tão somente em situações extremas, e essa situação foi extrema”, defende.

“A REAÇÃO DA MÃE É UMA MANIFESTAÇÃO DE SENTIMENTO QUE A POLÍCIA CIVIL ENTENDE E RESPEITA”

A Delegada de Polícia Civil, Lisiane Junges, acrescenta ainda que o inquérito policial foi instruído com participação de testemunhas que presenciaram os fatos, com vídeo segundo ela, fornecido pelo estabelecimento onde Diego subtraiu um fardo de cerveja, perícia no corpo de Diego, na arma de fogo e munições do Policial Militar que efetuou os disparos, perícia no local dos fatos, além da participação de pessoas ligadas a Diego e aos policiais.

Lisiane enfatiza que a análise do conjunto de provas produzido levou à conclusão de que houve a subtração por parte de Diego, mas em razão do óbito do suspeito, seria imperioso o arquivamento da investigação. “Diego entrou no estabelecimento, pediu um fardo de cervejas, e, assim que recebeu o produto, retirou-se sem efetuar o pagamento. As imagens fornecidas são claras e não deixam dúvidas quanto ao ponto. Ao ser interpelado para que pagasse a cerveja, sacou uma adaga que trazia consigo e proferiu ameaças. A adaga estava com Diego e não há informação de que pudesse pertencer a outra pessoa”, explica.

A delegada enfatiza ainda que não há prova de que Diego estaria drogado/embriagado no momento dos fatos. Ela comenta que as testemunhas presenciais e a perícia atestam que, acaso o Policial Militar não tivesse efetuado os disparos, teria sido atingido por Diego. “A reação da mãe de repúdio ao inquérito é um comportamento natural e esperado. Provavelmente a ligação afetiva com Diego impeça ou dificulte muito avaliar os fatos de forma técnica e pautada na legislação vigente. É uma realidade e manifestação de sentimento que a Polícia Civil entende e respeita”, finaliza.

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