REGIÃO
Mesmo com os alertas feitos pela Polícia Militar à população da região, o famoso golpe do falso sequestro continua fazendo vítimas no Extremo-oeste. Os supostos sequestradores conseguem informações pessoais das vítimas e fazem ligações telefÔnicas aos familiares, ocasião em que declaram o falso sequestro e exigem quantias elevadas em dinheiro pelo resgate. O major da Polícia Militar Marcelo de Wallau destaca que um dos fatores que mais contribuem para esse tipo de ocorrência é a intensa exposição das pessoas nas redes sociais.
O major informa que na semana passada novos casos de falso sequestro foram registrados e que, por essa razão, a Polícia Militar tem orientado cada vez mais a população para que não atendam ligações a cobrar de pessoas estranhas. Segundo ele, são quadrilhas especializadas que residem em outros estados, como no Rio de Janeiro, São Paulo, e que, através das redes sociais, como o Facebook, conseguem localizar as vítimas, obter fotos e informações de cada um dos familiares, facilitando a eficiência no momento de aplicar o golpe em qualquer região do País.
COMO AGIR
A orientação para não cair nesse tipo de golpe, segundo Wallau, é que as pessoas, ao receberem a ligação de um desconhecido, não façam depósitos de dinheiro e nem informem seus dados pessoais. “Normalmente as ligações com tentativas de estelionato por falso sequestro são provenientes de chamadas a cobrar, por isso é importante solicitar a identificação assim que atendido o telefonema”, orienta. Se a identificação não acontecer imediatamente e for verificada que a chamada não é de uma pessoa de suas relações, a ligação deve ser interrompida.
VÍTIMA DO GOLPE
No momento do desespero, muitas vítimas acabam cedendo informações aos golpistas e sem pensar, depositam quantias elevadas de dinheiro. Foi o caso da aposentada Josefina Maria Girelli, 58 anos, de Bandeirante. Ela e o marido aguardavam a chegada de um sobrinho que viria de Curitiba para visitar o casal.
A aposentada recebeu uma ligação a cobrar e um homem que estava se fazendo passar pelo sobrinho do casal disse que havia sofrido um acidente em Chapecó e que precisava de dinheiro para conseguir chegar até a casa do casal. “Ele me pediu se eu sabia onde tinha um guincho, então eu disse que morava em Bandeirante e não sabia dizer onde teria em Chapecó. Então ele pediu que a gente depositasse dinheiro para ajudar ele chegar à nossa casa porque o caixa eletrÔnico estava muito longe”, conta.
Josefina lembra que foi até o banco e depositou R$ 500,00, pois acreditava que o dinheiro serviria para ajudar o sobrinho que nunca apareceu. “Gastei mais de R$ 100,00 em ligações e mais o que depositei. Era o único dinheirinho que eu tinha no banco. Fui enganada”, conta.
14 MINUTOS DE TERROR
Ao atender um telefonema a cobrar, no meio da tarde num dia comum da semana enquanto tomava chimarrão na companhia de dois familiares há quatro anos atrás, a professora Marina Valansuelo Pinheiro, 58 anos, foi informada que a filha havia sido sequestrada em Chapecó, local onde estaria participando de uma reunião. Logo, o suposto sequestrador pediu que a mesma depositasse uma quantia equivalente a R$ 20 mil pelo resgate da filha. Caso a professora não repassasse a quantia exigida, os supostos sequestradores ameaçavam matar a filha e esquartejar seu corpo. A partir dessa fala, 14 longos minutos de terror acompanharam o diálogo entre a professora e o suspeito.
Marina lembra que a voz que falava com ela no outro lado da linha tinha sotaque espanhol e ela não conseguia identificar se isso se travava de uma gravação ou de alguém que realmente havia sequestrado a filha. “Eu disse para a pessoa que eu não tinha condições de pagar esse valor, então ela me disse que sabia onde eu morava e que eu podia, sim, pagar pelo resgate”, lembra.
A professora entrou em desespero quando o suposto sequestrador largou uma gravação que dizia: ‘Mãe, me socorra pelo amor de Deus. A minha vida está em tuas mãos’. “Eu entrei em desespero, mas continuei falando que não tinha condições de pagar os R$ 20 mil. Então a pessoa me disse que mataria a minha filha e a esquartejaria”, relata.
Neste momento, Marina conta que fez sinal para um dos familiares pegar o telefone celular e fazer uma ligação para o esposo da filha que estava trabalhando. “O marido da minha filha disse para desligar o telefone, pois se tratava de um trote, mas eu estava em estado de choque, pois minha filha não atendia ao telefone. Então, parei de conversar com o suposto sequestrador e minutos depois meu genro ligou dizendo que minha filha estava bem e retornando a São Miguel do Oeste”, conta.
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