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Estudantes se preparam para segundo Enem do ano

Última atualização 2 de novembro de 2021 - 10:17:09

Estudantes que fizeram as provas do Exame Nacional do Ensino
Médio (Enem) 2020, aplicadas em janeiro e fevereiro deste ano, e ainda não
conseguiram uma vaga no ensino superior, preparam-se para fazer o segundo Enem
do ano. A menos de um mês para as provas do Enem 2021, marcadas para os dias 21
e 28 de novembro, eles contam que, apesar da ansiedade, sentem-se um pouco mais
preparados para o exame.

O caminho não está sendo fácil. É a primeira vez que o exame
é aplicado duas vezes no mesmo ano, por causa da pandemia da covid-19. Será também
o segundo Enem de Kailane Kelly da Silva Brito, 18 anos de idade, valendo uma
vaga no ensino superior. Antes disso, a estudante participou apenas como
treineira, sem o diploma do ensino médio, para testar os conhecimentos.

“Na edição do ano passado, eu não obtive o resultado que eu
esperava. Eu até conseguiria entrar em outros cursos, mas que não eram do meu
interesse”, disse. A estudante ainda não definiu o curso que pretende cursar,
mas busca uma nota alta suficiente para ter opções.

“Tem sido bem complicado. O meu problema, em toda minha
preparação, é a questão de ser muito ansiosa. Isso me atrapalha no momento da
prova”, disse, acrescentando que “no Enem 2020, eu acredito que fui com uma
base de conteúdo boa, mas minha ansiedade me atrapalhou muito. Meu psicológico
atrapalhou”.

A estudante de Cocal dos Alves (PI) buscou, então,
tratamentos que a ajudasse a lidar com a ansiedade e acredita que está mais
preparada este ano. “O Enem virou, para mim, uma grande oportunidade de mudar
as coisas, mudar minha vida. É como eu posso ter a possibilidade de mudar as
coisas também para minha família. Virou algo muito além da prova”.

O fato de já conhecer como é a prova é uma vantagem, segundo
o técnico em informática Franklyn Pinheiro, 29 anos de idade, do Rio de
Janeiro. No Enem 2020, ele participou da primeira aplicação no formato digital.
Ele tinha muitas dúvidas e se surpreendeu, por exemplo, com o fato da prova de
redação ser feita em papel. Ele havia se preparado para digitar o texto no computador.

“Estou tentando de novo para ver se consigo uma nota mais
alta”, disse o estudante que, com o Enem, pretende cursar ciências da
computação. Na reta final, ele usa a internet para estudar e para refazer
provas de anos anteriores do Enem.

Pinheiro está inscrito novamente na modalidade digital. “A
diferença do Enem no papel é que não precisa pintar as bolinhas [do cartão de
respostas], ficou mais fácil. No digital, você apenas clica na resposta
correta”.

Veteranos do Enem

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a porcentagem de estudantes que
fazem o Enem mais de uma vez vem caindo ao longo dos anos.

Em 2014, do total de inscritos confirmados no Enem, 16%
estavam fazendo o Enem pela primeira vez, o que significa que 84% já tinham
feito a prova anteriormente. Em 2019, a porcentagem de novatos subiu para 47%,
o que mostra que a porcentagem daqueles que estavam fazendo as provas pelo
menos pela segunda vez caiu para 53%.

Os dados foram divulgados em outubro de 2019. Na época, o
Inep explicou que os números mostram que está aumentando a participação de
novatos. Um dos motivos, segundo a autarquia, é a mudança nas regras da isenção
do pagamento da inscrição, que ocorreu em 2017. Desde 2018, os participantes
precisam justificar a ausência na edição anterior para estarem aptos a pedir
uma nova isenção. Aqueles que não têm a justificativa aceita, precisam pagar a
taxa, que atualmente é R$ 85.

Excepcionalmente em 2021, por causa da pandemia da covid-19,
uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a necessidade de
justificativa. O STF entendeu que a exigência de comprovação documental para os
ausentes viola diversos preceitos fundamentais, entre eles o do acesso à educação
e o de erradicação da pobreza. Além disso, a obrigação imposta pelo edital
penaliza os estudantes que fizeram a “difícil escolha” de faltar às provas para
atender às recomendações das autoridades sanitárias de evitar aglomerações.

O exame de 2020, realizado em meio à pandemia, registrou
abstenção recorde de participantes. Mais da metade dos inscritos não compareceu
a nenhum dia de prova. Já o Enem de 2021 teve queda no número total de
inscritos em relação a exames anteriores. De acordo com o Inep, são mais de 3
milhões de inscritos confirmados. Em 2020, foram 5,8 milhões de inscritos.

Foco no Enem

No começo deste ano, Suelen Carvalho, de 23 anos de idade,
foi uma das primeiras a chegar à Universidade do Estado do Rio de Janeiro
(Uerj), local em que fez o Enem 2020, para evitar aglomerações no transporte
público e se proteger da covid-19. A estudante disse na época à Agência Brasil
que, apesar de considerar arriscado, foi fazer a prova porque temia não
conseguir isenção novamente na edição de 2021.

“A prova para mim representa uma oportunidade”, disse a
estudante do Rio de Janeiro. Suelen disse que conseguiu se preparar ao longo do
ano melhor do que conseguiu em 2020. Ainda assim, foram muitas as dificuldades.
Ela precisou conciliar trabalho e estudo. Ela entra no trabalho às 8h, e só
quando sai começa a estudar para as provas. As aulas vão até as 22h. Mas só
depois desse horário, ela disse que consegue fazer exercícios para fixar o
conteúdo.

A estudante quer cursar medicina. “Eu estou focando em
passar, porque eu sei que só vou ter uma realidade diferente através da
educação. A minha sociedade, o país em que eu vivo, e o meu lugar como mulher
negra e favelada, e eu quero muito uma realidade diferente disso. Eu quero ter
conhecimento, ocupar outros lugares e quero abrir caminhos para mulheres como
eu terem acesso à universidade”, disse.

Entrada dos candidatos para o segundo dia de prova do
primeiro Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) digital, na Pontifícia
Universidade Católica-PUC, no Rio de Janeiro.

Sonho realizado

Em 2021, Sergio Manoel Passos Cardoso, 18 anos de idade,
pode descansar dos estudos. Ele não vai fazer o segundo Enem do ano, pois
conquistou uma vaga em odontologia na Universidade Estadual do Piauí Parnaíba
(Uespi), pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu). O ex-estudante da Escola
Augustinho Brandão, em Cocal dos Alves (PI), conversou com a Agência Brasil no
início do ano, antes de prestar o Enem 2020.

Na época, disse que estava tendo aulas pelo WhatsApp e com
uma série de dificuldades nos estudos.

O sonho de ingressar no ensino superior não era apenas dele,
mas também do pai, que faleceu este ano, vítima de câncer. “Passei por um ano
bastante conturbado, com a morte do meu pai, e ele sempre quis me ver passando
em uma universidade, principalmente em odontologia. E consegui fazer com que
ele visse isso acontecendo”, disse o estudante.

As aulas do primeiro período da Uespi começam no próximo dia
9. Aos demais estudantes, ele deixa uma mensagem de esperança: “Buscar sempre
se manter focado, e pensar que apesar das dificuldades, tudo é possível”.

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