SÃO MIGUEL DO OESTE
Quando as luzes se apagam e a madrugada avança, o compositor Anderson Rodrigues da Silva, mais conhecido como o Tchê do Swing, pega o violão e começa a rabiscar composições em seu caderno até que uma nova música surge. “O melhor horário para compor é de madrugada.Fico na cozinha acertando os acordes, quando vejo já está clareando o dia”, detalhaTchê, que atualmente mora em São Miguel do Oeste e compõem o samba enredo do bloco carnavalesco Cia da Alegria. Entre as 800 letras que compÔsestá “Ciumenta”, gravado pela dupla sertaneja Cesar Menotti e Fabiano. A música caiu no gosto de brasileiros e rendeu a Anderson o prêmio Grammy da música latina, em 2009.
A música que fala de uma mulher que liga toda hora para o marido para saber onde ele está foi escrita após uma conversa de bar que Tchê do Swing teve com um amigo. “Estava com um amigo em um bar, quando ele começou contar que a mulher dele era muito ciumenta. Pedi licença, saí do bar, peguei o violão e compus a música em 27 minutos.Foi a mais rápida que já escrevi”, conta Tchê. O compositor escreveu “Ciumenta” em 2003 com o objetivo de direcioná-la ao cantor Buchecha, da ex-dupla Claudinho e Buchecha.
Antes de a música ser gravada por Cesar Menotti e Fabiano ela foi gravada por muitos cantores, entre eles a dupla sertaneja Luiz Guilherme e Daniel, que abriu o show de Cesar Menotti e Fabiano, em Botucatu (SP). “O show era para ser aberto por outra dupla, Maurício e Mauri, mas um problema de saúde impediu que ela se apresentasse. Assim, Luiz Guilherme e Daniel abriram o show e a música ficou conhecida”, lembra o compositor. Dias depois, Menotti ligou na casa de Tchê. “Pensava que era trote, mas não era, e a letra “Ciumenta” foi gravada pela dupla. Quando menos esperava estava no Programa do Raul Gil, do Ratinho, do Gugu e participando de programas de diversas rádios do Brasil”, salienta. Sempre rodeado de violeiros, Tchê compÔs pela primeira vez aos 12 anos de idade. Foium samba enredo para o Carnaval da Escola de Samba Cadetes Mirins, do Rio Grande do Sul. A partir daí, ele nunca mais parou de compor, mesmo exercendo outras profissões, como garçom, vendedor e até jogador de futebol em um time do Uruguai. Tchê explica que para ser compositor é preciso ser bastante observador. “Sou uma pessoa bastante observadora. Como diz o compositor Carlos Randall, sou um operário da música. Às vezes faço ela com diversos acordes e com harmonia, mas aquela que explode é a que compus de forma simples”, frisa.
Entretanto, não basta criar uma música.É preciso levá-la até o artista e saber negociá-la. “É preciso em primeiro lugar fazer parte de uma Associação de Compositores, que tem o papel de cobrar do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) os direitos autorais e repassar ao autor”, elucida Tchê, que integra a Associação de Intérpretes e Músicos (Assim). No Brasil há ainda a Associação Brasileira de Autores, Compositores, Intérpretes e Músicos (Abrac), a Associação Nacional de Autores, Compositores, Intérpretes de Música (Anacin), entre outros.
O profissional também tem que ter disponibilidade para viajar pelo Brasil. Tchêfica 10 dias em São Miguel do Oeste, 10 dias em São Paulo e ainda precisa cumprir compromissos em Brasília, Goiãnia e Rio de Janeiro. “A música é a minha felicidade, liberdade e meu ‘ganha pão’. Hoje ela está aberta a todos.Qualquer um pode postar no YouTube e alcançar o sucesso do dia para a noite”, finaliza.
Músico arranca aplausos do público ao tocar violão e gaita
Pelo Brasil e pelo mundo, o músico Alexandre Gaspodini encanta o público tocando dois instrumentos ao mesmo tempo: violão e gaita de boca. “Parece ser difícil tocar dois instrumentos ao mesmo tempo se pensarmos que eles são distintos. Mas para mim o violão e a gaita são um único instrumento”, ressalta Alexandre, que atualmente mora em Porto Alegre. Quando há um piano disponível no palco, Alexandre também toca piano. “Mas isso acontece raramente, já que o piano ficou na casa de minha mãe Telma, em São Miguel do Oeste”, diz.
Foi de sua mãe, a professora de piano TelmaGaspodini, que ele ganhou o primeiro instrumento musical, uma guitarra. Do irmão, Uórani, ganhou a primeira harmÔnica. Para aprender sobre música, Alexandre chegou a carregar os instrumentos musicais do harmonicista Alex Rossi, que atualmente mora na Bélgica e é reconhecido profissionalmente em toda Europa. “Era estudante e não tinha dinheiro para nada, mesmo assim queria estar o mais perto possível dos músicos e participar dos shows. Aprendi muito carregando instrumentos.Ouvia e via tudo de perto”, assegura Gaspodini.
Alexandre chegou em Porto Alegre, em 1999, com o sonho de se tornar músico. Ele tinha 19 anos e cursava engenharia na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) quando resolveu se mudar para a capital gaúcha. “A mudança para Porto Alegre foi um plano maquiavélico. Sabia que lá teria contato com muitos músicos que admirava e que poderia aprender muito sobre música. Tinha receio de falar para minha mãe, que queria me mudar por causa disso.Então argumentei que a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) tinha o melhor curso de Engenharia Civil do Brasil”, recorda Alexandre.
Por muitos anos, Alexandre conciliou a profissão de músico com a de desenhista e projetista em uma empresa de Engenharia Civil. Até que em 2007 deixou o emprego e começou a se dedicar exclusivamente à música. Como harmonicista, Gaspodini acompanhou muitos dos grandes nomes mundiais do gênero Blues. Contudo, como compositor em carreira solo busca não se prender a nenhum estilo, por mais que seja influenciado pelo Blues e pela música Folk americana. “Cada vez mais tenho expandido meus horizontes em busca da minha própria musicalidade e hoje me considero um músico contemporãneo, que busca no passado os caminhos para o futuro”, enaltece Gaspodini.
Gaspodini se apresenta em teatros, casas de shows, bares, cafés, festas coorporativas e casamentos. Os lugares por onde ele tocou são muitos: Florianópolis, Balneário Camboriú, Santa Maria (RS), Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiãnia, entre outros. A convite de Nicolas Smolijam, um dos maiores gaitistas da América do Sul, Gaspodini se apresentou na capital argentina, Buenos Aires. “Os argentinos respeitam muito os músicos.A plateia fica em silêncio total durante as apresentações”, salienta.
Quando se apresenta em São Miguel do Oeste, Gaspodini sente um mistura de nervosismo e felicidade. “É nesta cidade que moram meus amigos, minha família, as pessoas que mais quero agradar. Se apresentar em São Miguel do Oeste é maravilhoso e assustador.Um clima perfeito para um show”, avalia o músico.
DESAFIOS DE UM MÚSICO
Até janeiro de 2013, Gaspodini tem inúmeros shows agendados. Depois de cumprir a agenda pretende lançar o seu quarto CD. Gaspodinitem três CDs gravados.O primeiro foi lançado oficialmente em 2005 com o nome “Na Capa da Gaita”. Para divulgar o trabalho, o músico investiu na internet. “As redes sociais e o YouTube fizeram com que muitas pessoas conhecessem o meu trabalho”, menciona. Hoje Gaspodini acredita que o maior desafio é viver da arte. “Além disso, busco escrever canções que sejam lembradas e que inspirem as pessoas a seguirem lutando pelos seus sonhos”, enfatiza.
Para Alexandre, as músicas que toca amadurecem com ele. “Elas contam passagens da minha vida, da vida de amigos ou de vidas que imagino existirem. A cada ano todas estas vidas mudam e as minhas músicas também”, frisa. A rotina de um músico é repleta de desafios que muitas vezes as pessoas desconhecem. “Para ganhar a vida, preciso ir além dos shows.Dou aulas, faço gravações, escrevo projetos para editais de cultura e sempre estou estudando e criando”, menciona.
Por meio da composição, Gaspodini encontrou um meio para se relacionar com o mundo. No início, a mãe de Gaspodini ficou preocupada com o futuro do filho, porque como professora de piano sabia que a vida de músico não era fácil, mas mesmo assim não deixou de dar apoio. “Na minha vida a música sempre falou mais alto. Afinal, esta é a minha maneira de expressar meus sentimentos, de conhecer as pessoas e uma maneira delas me conhecerem”, finaliza o músico.
Escravos americanos cantavam Blues nas plantações de algodão
O gênero Blues é um estilo musical que se baseia no uso de notas graves com fins expressivos e uma estrutura musical repetitiva. Ele surgiu nos Estados Unidos a partir do século 17, quando escravos negros da região Sul faziam canções nas plantações de algodão.W.C. Handy, o pai deste estilo, ouviu este tipo de música pela primeira vez, quando observou um homem tocando violão com um canivete.
Em busca de melhores condições de vida, negros americanos emigraram na década de 40 para Chicago e com eles o Blues. Com o uso de instrumentos musicais elétricos, os adeptos tiveram novas oportunidades. Nos anos 60, o gênero serviu de fundamento para a criação de um dos maiores estilos musicais, o rock. Elvis Presley teve a sua origem enraíza no Blues. O gênero também influenciou outras bandas como Beatles, Rolling Stones e Led Zeppelin.
Durante os anos 70, o estilo começou a perder espaço para outras músicas com elementos eletrÔnicos, especialmente da era do disco. Dez anos depois as apresentações começaram a ficar cada vez mais escassas, pois a moda da época rejeitava a tendência não comercial. O gênero voltou a ganhar força graças ao guitarrista norte-americano, Stevie Vaughan. Após a morte do guitarrista, na década de 90, voltou a perder força.
Handy, o pai do Blues
Filho de ex-escravos, o pai do Blues W.C Handy saiu de casa ainda adolescente. Ele viajou por diversos lugares, dando aulas de música por onde passava, até se estabilizar em Memphis e Tennessee, onde mais tarde, ao lado de Harry Pace, fundou uma distribuidora fonográfica. Em Memphis compÔs “Memphis Blues”, “The St. Louis Blues” e muitas outras canções que incorporaram instrumentos do jazz com a contagem de tempo do ragtime e do tango dentro do compasso do blues. Em 1918, mudou-se para Nova Iorque, onde continuou a trabalhar como compositor e arranjador para filmes, rádio e produções da Broadway.
Foi aos 40 anos de idade, que Handy publicou sua famosa composição “St. Louis Blues”, seguido do popular “Beale Street Blues”. Como sua fama e reputação cresceu, Handy mudou sua editora de Nova Iorque. “St. Louis Blues” foi gravada por artistas que vão desde Bessie Smith, Louis Armstrong, Cab Calloway e Rudy Vallee a Rute Brown, Harry James, de Hank Williams Jr. e Natalie Cole.
Desde criança, Handy tinha uma audição aguçada para a música e catalogava as notas musicais de aves e o barulho de barcos das proximidades. Apesar da falta de incentivo da família, Handy guardava escondido dinheiro para comprar uma guitarra que tinha visto na vitrine de uma loja local. Quando orgulhosamente levou o instrumento para casa, seu pai o fez levar de volta à loja e trocar a guitarra por um dicionário.
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