Home Audiência pública na Assembleia irá discutir efeitos do julgamento do marco temporal em SC

Audiência pública na Assembleia irá discutir efeitos do julgamento do marco temporal em SC

Foto: Assessoria de comunicação – Serão convidados para o debate representantes do Ministério da Agricultura, Funai, prefeitos, vereadores, agricultores e demais órgãos interessados

A pedido do presidente da Assembleia Legislativa de Santa
Catarina, deputado Mauro De Nadal, o Parlamento Catarinense discutirá os
efeitos do julgamento do marco temporal no estado.

A audiência pública ocorre no próximo dia 15, às 16h, na Alesc,
e tem como foco debater os reflexos da retomada de julgamento em andamento no
Supremo Tribunal Federal (STF), com efeitos em vários municípios de Santa
Catarina.

“Estamos fazendo uma grande mobilização para levar o
posicionamento de Santa Catarina a

Brasília. Falamos de áreas nas quais não existe a presença de
indígenas há várias décadas, áreas compradas legalmente pelos agricultores e
culturalmente e economicamente consolidadas”, afirma De Nadal.

O presidente da Alesc explica que a audiência pública pretende
levar encaminhamentos e informações ao Supremo Tribunal Federal (STF), que deve
retomar o julgamento do marco temporal em junho. Ele afirma que há diferentes
versões sobre o tema, e por isso o debate é fundamental para o esclarecimento.

Serão convidados para o debate representantes do Ministério
da Agricultura, Funai, prefeitos, vereadores, agricultores e demais órgãos
interessados.


Entenda a questão do
marco temporal

A presidente do STF, ministra Rosa Weber anunciou para 7 de
junho a retomada do julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 1017365, com
repercussão geral, que discute se a data da promulgação da Constituição Federal
(5/10/1988) deve ser adotada como marco temporal para definição da ocupação
tradicional da terra por indígenas.

Nadal destaca a importância do debate porque em Santa Catarina
a decisão poderá afetar pequenos agricultores, que trabalham em regime de
subsistência.

No Oeste catarinense, em Cunha Porã e Saudades, por exemplo,
uma área de 2,7 mil hectares foi gravada em 2007 como reserva indígena, afetando
131 pequenas propriedades de pequenos agricultores com terras de sucessão
familiar escrituradas desde a primeira metade do século passado.

 

Os agricultores locais ingressaram na Justiça Federal contra
a Funai e a União e o processo foi considerado procedente. Recursos e embargos
levaram o caso para o Tribunal Federal da 4ª região (TRF4) e posteriormente ao
STF.

Agora, com a retomada do julgamento de outra ação sobre o
marco temporal no STF, mas com efeitos amplos de seu resultado, há risco para
as famílias de agricultores. Já os índios guaranis que podem ser beneficiados
com a demarcação da reserva do Araçaí não vivem na região há seis décadas e
estão abrigados nas reservas de Toldo Nonoai (RS) e Toldo Ximbanque (SC).

Outras áreas contestadas estão no Alto Vale, em Ibirama e
Vitor Meireles, e na grande

Florianópolis, em Palhoça, às margens da BR-101, no Morro
dos Cavalos e bacia do Maciambu.

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