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Aumento da cigarrinha-do-milho é registrado em Santa Catarina, mas dentro do esperado

Última atualização 13 de janeiro de 2026 - 11:14:17

O mais recente levantamento do Programa Monitora Milho SC, realizado pela Epagri entre os dias 15 de dezembro e 5 de janeiro, apontou uma média estadual de 43 cigarrinhas-do-milho por armadilha em Santa Catarina. Apesar do aumento populacional, os números estão dentro do esperado para o período e não indicam, neste momento, situação de alerta fora do padrão.

As maiores concentrações do inseto foram identificadas em lavouras dos municípios de Tigrinhos e Campo Erê, no Extremo-Oeste, Caçador, no Meio-Oeste, e Canoinhas, no Planalto Norte. Segundo a pesquisadora da Epagri e responsável pelo programa, Maria Cristina Canale, o crescimento da população ocorre de forma natural nesta fase da safra, quando as lavouras já estão mais avançadas e o manejo se torna mais difícil.

A pesquisadora explica que o período mais crítico para a ocorrência de infecções acontece nos estádios iniciais da cultura, entre a emergência da planta e as fases V3 e V4. “É nesse momento que a infecção pode se espalhar por toda a planta, aumentando significativamente o risco de perdas de produtividade”, destaca.

Com a safra se aproximando do final, a recomendação da Epagri é que os produtores redobrem os cuidados durante a colheita, realizando a regulagem correta das máquinas para evitar a perda de grãos. Esses grãos podem originar o milho voluntário, conhecido como tiguera, que serve de abrigo e fonte de alimento para a cigarrinha-do-milho. Para quem pretende plantar milho safrinha, a orientação é evitar novas lavouras próximas a áreas já maduras.

O manejo adequado deve ser feito principalmente na fase vegetativa da cultura, com o uso de inseticidas de contato e sistêmicos, aliados, sempre que possível, a produtos biológicos. O objetivo é reduzir a migração dos insetos e minimizar o risco de transmissão dos patógenos associados.

Atualmente, o Programa Monitora Milho SC acompanha semanalmente 55 lavouras distribuídas em todas as regiões do estado. Até o momento, foram analisados 3.592 insetos com suspeita de infecção e realizados 2.716 testes de PCR para identificação dos quatro principais patógenos transmitidos pela cigarrinha-do-milho. Os resultados indicam maior incidência do vírus do raiado fino, responsável por 31,96% das infecções, seguido pelo vírus do mosaico estriado (16,64%), espiroplasma do enfezamento-pálido (10,75%) e fitoplasma do enfezamento-vermelho (6,04%).

Criado no início de 2021, o programa é uma iniciativa do Comitê de Ação contra a Cigarrinha-do-milho e Patógenos Associados, que reúne diversas instituições, entre elas Epagri, Udesc, Cidasc, Ocesc, Fetaesc, Faesc, CropLife Brasil e a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária. A metodologia adotada já é referência para ações semelhantes em outros estados brasileiros e também no exterior.

Maria Cristina Canale reforça que as informações geradas pelo monitoramento são essenciais para a convivência da agricultura com a praga. Segundo ela, os surtos de enfezamentos têm sido cada vez mais frequentes em todas as regiões produtoras do país, o que exige manejo integrado e regionalizado, com a participação ativa de todos os produtores envolvidos na cadeia do milho.

Os dados atualizados do monitoramento estão disponíveis semanalmente no site da Epagri e no aplicativo Epagri Mob.

Fonte: ACOM/Epagri

Foto: Epagri

Fot: Epagri

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