O mercado de carne suína iniciou 2026 com ritmo mais lento no consumo e sinais de ajuste nos preços. Após o período de festas de fim de ano, a demanda pela proteína perdeu força, refletindo um comportamento sazonal típico do primeiro trimestre. A avaliação é da consultoria Safras & Mercado, que aponta estabilidade e leves quedas nos preços do suíno vivo e dos principais cortes no atacado.
Segundo o analista Fernando Iglesias, o consumo de carne suína tende a desacelerar neste período, movimento contrário ao observado na carne de frango, que costuma ganhar espaço no orçamento das famílias. “A carne suína sofre com a descapitalização da população e também com as altas temperaturas, que desestimulam o consumo da proteína in natura”, explica.
Com a retração na procura por cortes frescos, o perfil de consumo passa por uma mudança. A tendência é de maior concentração em produtos industrializados, como presunto, mortadela, linguiça e salsicha, que apresentam maior estabilidade mesmo em períodos de menor demanda por carne fresca. De acordo com a Safras & Mercado, esse comportamento deve se manter ao longo de todo o primeiro trimestre de 2026.
No campo dos preços, o levantamento da consultoria indica que o valor médio nacional do quilo do suíno vivo recuou de R$ 8,00 para R$ 7,92 na primeira semana do ano. No atacado, o pernil foi comercializado a R$ 13,14, enquanto a carcaça suína apresentou média de R$ 12,37.
Entre os estados produtores, o cenário foi marcado por estabilidade ou pequenas retrações. Em São Paulo, a arroba caiu de R$ 170,00 para R$ 167,00. No Rio Grande do Sul, os preços permaneceram estáveis na integração, em R$ 6,75, e recuaram no interior, passando de R$ 8,59 para R$ 8,50. Em Santa Catarina, a integração ficou em R$ 6,70, enquanto o mercado independente registrou queda para R$ 8,40. No Paraná, houve leve baixa, com o quilo vivo chegando a R$ 8,35. Já em Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso, os preços se mantiveram praticamente estáveis.
Apesar do cenário interno de menor dinamismo, o desempenho das exportações segue como um importante fator de sustentação para o setor. Em dezembro de 2025, o Brasil exportou 118,6 mil toneladas de carne suína “in natura”, com faturamento de US$ 300,7 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). As médias diárias cresceram mais de 25% em volume e valor na comparação com o mesmo período de 2024, com preço médio de US$ 2.535,20 por tonelada.
As vendas externas, especialmente para mercados asiáticos, continuam sendo o principal suporte para a suinocultura brasileira neste início de ano. A expectativa do setor é de um primeiro trimestre marcado por menor rentabilidade, com possibilidade de recuperação gradual a partir do segundo trimestre de 2026, à medida que as temperaturas diminuem e a demanda interna volte a se recompor.
Fonte: RCN
Foto: Divulgação.
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